Viver num país com sol o ano todo deveria proteger contra a deficiência de vitamina D. Na prática, não protege. Estudos brasileiros mostram que entre 40% e 60% da população tem níveis insuficientes, mesmo em regiões com alta incidência solar durante o ano inteiro.
Por que a deficiência é tão comum no Brasil
A síntese de vitamina D pela pele depende de exposição solar direta: sem protetor solar, sem vidro entre você e o sol, com braços e pernas expostos, no horário de maior incidência UVB (entre 10h e 15h). A maioria das pessoas trabalha em ambientes fechados durante exatamente esse período. Quando saem, usam protetor solar e roupas cobrindo o corpo. O resultado é síntese insuficiente mesmo no Nordeste.
Outros fatores que reduzem a síntese ou aumentam a demanda: pele mais escura (a melanina age como filtro e reduz a produção), obesidade (a vitamina D fica retida no tecido adiposo e fica menos disponível na circulação), e idade avançada (a pele perde capacidade de síntese com o tempo).
O que a vitamina D faz
A vitamina D age como hormônio em praticamente todos os tecidos do corpo. O papel mais conhecido é na absorção de cálcio e na saúde óssea. Mas ela também regula o sistema imunológico, tem efeito anti-inflamatório, participa da função muscular e influencia a produção de serotonina.
Deficiência crônica está correlacionada em estudos epidemiológicos com maior risco de doenças autoimunes, doenças cardiovasculares e depressão. A relação causal ainda está sendo estudada, mas a associação é consistente o suficiente para justificar manter níveis adequados.
Como diagnosticar
O exame é a dosagem sérica de 25-hidroxivitamina D. Abaixo de 20 ng/mL é considerado deficiente pela maioria das diretrizes. Entre 20 e 30 ng/mL, insuficiente. Acima de 30 ng/mL, suficiente. Muitos especialistas recomendam manter entre 40 e 60 ng/mL para efeitos ótimos sobre imunidade e saúde geral.
Suplementação
A dose depende do nível basal e deve ser orientada por médico. Para manutenção, doses entre 1.000 e 2.000 UI diárias são comuns na prática clínica. A vitamina D3 (colecalciferol) tem melhor absorção do que a D2. A combinação com vitamina K2 na forma MK-7 é frequentemente recomendada: a K2 ativa proteínas que direcionam o cálcio para os ossos, evitando depósito nas artérias. Tome com uma refeição que contenha gordura, a vitamina D é lipossolúvel e precisa de gordura para ser absorvida.